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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Saudades




Quando eu era criança o meu sonho era ser astronauta, penso cá eu com meus botões que toda criança um dia quis ser astronauta. Queria viajar, viver sozinha, ter a minha própria vida e independência longe da minha família. Até hoje eu gosto da sensação de estar em algum lugar que ninguém me conhece, isso me dá oportunidade de recomeçar, de reescrever o meu livro da vida, e o que estou escrevendo aqui não é segredo para ninguém, eu realmente pensava que sozinha eu iria mais longe, seria mais fácil.

Nunca acreditei que eu precisasse de ninguém, que sempre daria conta do recado e as minhas dores e saudades eu maculava, preenchia com outras coisas, outros sonhos, outras pessoas. "Na verdade, aprendi a ser amiga da saudade. Bem da verdade, essa é quase uma imposição para quem resolve viver fora de casa, me dei conta disso bem cedo, quando juntei minhas tralhas em um saco de pano e fui viver longe dos meus pais, irmãs e amigos, aos 14 anos. Às vezes, sinto que minha alma resolveu viver essa amizade meio que como uma defesa para não sofrer esse conflito: o corpo querendo voar mundo afora e o coração sem sair do lado de quem se ama e quer bem."

Fui morar a 3.600 km de distância da minha família e quando as pessoas me perguntavam "como você veio parar aqui?" Eu respondia: uma tia minha me perguntou aos 9 anos se quando eu terminasse o 2º grau, naquela época ainda se falava assim, se eu gostaria de sair do Pará onde morava e vir para Minas, nem pestanejei, disse que sim. E guardei esse sonho no meu coração durante quase 5 anos. No dia de vir embora, fingi estar superbem resolvida, não gostava de demonstrar meus sentimentos, chorei muito, mas falava que nunca mais voltaria a morar em minha terra, que para trás não se anda nem para pegar impulso.

Fui morar com meus avós maternos, fiquei com eles durante 07 anos, não foi uma convivência pacífica mesmo porque eu estava na adolescência e eles na terceira idade. Entre mortos e feridos estamos todos salvos e sou muito grata à eles, exceto minha vó, tadinha, que já faleceu.

Nesta cidade fiz o magistério e na cidade vizinha fiz faculdade de Pedagogia, depois que concluí o curso, vim para BH, aí sim, estava assinada minha carta de alforria, aos 21 anos eu era independente financeiramente e emocionalmente, fui dividir apto com uma pessoa que nunca tinha visto na vida. Senti tanta liberdade, imaginem, sozinha em BH, sem pai, nem mãe, sem eira e nem beira. Era a glória. Foi bom, fui feliz, sofri muito, mas foi bom, até o sofrimento foi um sofrimento bom. Como diz o rei Roberto Carlos “se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi...”

Para encurtar a história, depois de 16 anos e meio voltei à minha terra, convivi por 10 dias com as minhas irmãs e o meu sobrinho e descobri como é bom ter família, como é bom ter gente com o mesmo sangue da gente ao nosso lado, que nos conhece desde que nascemos.

O meu coração explodiu de alegria ao revê-los, foi uma emoção tão grande que não sei nem explicar. E estar com meus amigos de infância, meu Pai do céu, isso não tem preço, estes dias foram os mais felizes de toda a minha existência, sou exagerada, né, mas emoção igual àquela, senti poucas vezes.

Fui em todos os lugares de quando era criança, visitei todas as casas que morei, a minha escola, a minha cidade, o meu povo, a minha gente. Que emoção, que orgulho.

E o mais engraçado é que eu não queria ser nada, eu não queria ser a pedagoga, nem a advogada, muito menos a profissional X, Y ou Z, eu só queria reviver, viver novamente, sendo bem redundante, viver mais uma vez a emoção de estar em família e entre amigos.

Não me arrependo de ter ficado tanto tempo sem ir lá, acredito que fui na hora certa, fui quando deu parar ir, também não sou de ficar remoendo muito as coisas não, sou de levantar a cabeça, sacudir a poeira, dar a volta do jeito que der para dar e seguir em frente, pois para frente é que se anda. E como eu sempre gosto de falar, chora e anda, pelo menos quando parar de chorar e andar, estará em algum lugar.

E meu povo, foi excelente, mesmo porque não tenho uma máquina do tempo, para trás não se volta, então é melhor aproveitar o presente. E como aproveitei, foi melhor que banho de chuva, melhor que mamão com açúcar, melhor que algodão doce.

“Se tem uma coisa que esta visita me proporcionou foi a possibilidade de repensar as relações das quais me separei quando mudei. É realmente incrível como conseguimos nos enxergar melhor em determinado contexto do que quando estamos fora dele. Neste curto espaço de tempo repensei meus laços familiares, amizades de hoje e de ontem, desatei nós, entendi porquês, curei feridas, senti a importância das pessoas, dos meus amigos e da minha família e reavaliei meu lugar na vida delas e o lugar delas na minha vida.”

Há um mês voltei de viagem e todos estes dias eu quis estar perto deles, estar com eles, estar entre eles. Uma saudade que dói o peito, todo dia dou um jeitinho de conversar com minha irmãs pelo face, por skype, por telefone, adicionei no facebook todo mundo da cidade, independente de conhecer ou não a pessoa, e também criei um grupo com o nome da vilarejo e coloquei todo mundo lá, isso é só uma forma de estar perto, de saber das novidades, pois “saudade é palavra triste quando se perde um grande amor, na estrada longa da vida eu vou chorando a minha dor.”

Encerrando, dedico este post às minhas 03 irmãs, ao meu sobrinho e aos meus amigos de infância, pois vocês são parte integrante da minha história, eu os amo e quero cada dia mais estar ao lado de vocês, para que nossas vidas novamente se entrelacem e se permeiem do mais puro e genuíno amor.




quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Comente


Caros, alguns amigos estão com dificuldades para deixarem seus comentários em meu blog.

Para comentar é um pouco chatinho mesmo, não temos a mesma facilidade dos comentários no facebook. Se desejas comentar, siga o passo a passo abaixo, por gentileza:

1) Vá até o final do post;
2) Clique sobre a palavra e/ou link "nenhum comentário";
3) O mouse virará uma mãozinha;
4) O link "nenhum comentário" ficará laranja;
5) Digite o texto dentro da caixa;
6) Clique logo abaixo em "anônimo";
7) Depois em publicar.

Desta forma ficará mais fácil e ninguém precisará de identificação. Caso queiram identificar-se, assinem os nomes nos comentários, só assim saberei quem é. Senão aparecerá somente: anônimo comentou.

Abraços meus amores!

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Viver é um aprendizado diário



A vida está sempre nos surpreendendo, sempre nos ensinando, nos auxiliando a vencer cada dia com leveza, apesar de toda a dureza à nossa volta, se nós deixarmos e procurarmos ver sempre o lado bom de tudo e todos.

Meu marido costuma dizer que “as coisas tem o peso que a gente dá”. E cada dia que passa tenho procurado ser leve, levar a vida e seus lemas e dilemas com leveza. Aproveitar cada momento como se eu fosse morrer amanhã, e isso tem me feito muito bem.

Hoje, após o trabalho eu fui à casa de uma amiga, ela mora com a mãe, uma senhora educadíssima, refinada, prendada, culta e linda, como ela é linda e o filho, que além de inteligentíssimo, talentosíssimo é lindo de viver, como dizia nossa saudosa Hebe Camargo.

Da minha amiga, sou suspeita para falar, eu simplesmente amo-a, na verdade, eu amo ela, isso mesmo, amo ela, pois dizer amo-a ou amo-te como sugere a Língua Portuguesa culta nem parece que é amor.

Chegando ali tinha uma mesa posta, tudo perfeitamente organizado, dos jogos americanos aos guardanapos, tudo tão delicadamente arrumado e de bom gosto, que de cara já me senti acolhida, abraçada e à vontade. E as comidinhas, cada coisa mais deliciosa que a outra, para variar comi horrores, como eu amo comer, e, infelizmente, não tenho regra de etiqueta para comer, se fui convidada, a pessoa preparou tudo para mim, penso eu cá, em minha vasta ignorância, que o mínimo que eu posso fazer para agradar é desfrutar dos prazeres que a mesa me oferece, então eu como, como salgado, doce, depois salgado, depois doce novamente e assim caminha a humanidade.

Permaneci umas duas horas na casa dela, conversamos, rimos, nos divertimos, vimos o meu álbum de formatura, jogamos a famosa conversa fora. Perguntem-me se eu queria estar em outro lugar que não fosse lá? Não, eu queria estar entre eles, e é isso uma das coisas que a maturidade me trouxe, ela me ensinou nestes 37 anos a desfrutar de cada minuto da vida, pois ele é único e não volta mais, como diz o filósofo Heráclito: “ninguém toma banho duas vezes no mesmo rio”.

Nem sei se este texto é texto de blog e para o blog, mas fiquei com vontade de dizer à todos os meus leitores, aproveitem a vida, sei que isso é clichê, é coisa de gente velha, de gente que parece que vai morrer amanhã, mas é isso mesmo, vivam, divirtam-se, aproveitem a vida, pois "assim como um dia bem aproveitado proporciona um bom sono, uma vida bem vivida proporciona uma boa morte", já dizia Leonardo da Vinci.

Deus os abençoe!

Abraços meus amores!




sábado, 1 de fevereiro de 2014

Desde que meus pais morreram

Desde que os meus pais morreram tenho pensado muito sobre a morte, isso mesmo, sobre o processo de morrer, sobre o processo de extinção da vida humana da face desta terra, pois morrer muda tudo.

Tenho lido, ouvido especialistas, tentado encontrar uma explicação, mas, morrer ainda é uma incógnita, sabemos que morreremos, é a única certeza que temos de verdade verdadeira nesta vida, mas NUNCA estamos preparados.

Depois que a morte foi decretada, nas experiências que tive com o falecimento dos meus pais, a minha primeira sensação foi de alívio, falei, graças a DEUS, acabou o sofrimento deles e o nosso, pois um ente querido com doença terminal faz com que todos que estão a sua volta também adoeçam, e não adoece somente o corpo, adoece também a alma e o espírito, mas no fundo, bem lá no fundinho de minh'alma eu sabia e dizia para mim mesma, eles descansaram desta luta renhida entre a vida e a morte e nós, os parentes e amigos, também.

Ledo engado, aí é que tem e vem a explosão emocional, claro. Mas, também tem as coisas práticas.

Quem vai fazer o seu trabalho? Quem vai cuidar da sua família? A única coisa boa é que o morto não precisa se preocupar com nada.

Gente que você não conhece vai morar na sua casa, fazer o seu trabalho. O mundo continua girando sem você.

A morte é mais interessante para quem vai, para quem fica é mais difícil. Você nunca para para sentir as perdas, o mundo não deixa, a lei não deixa, regra geral, segundo a CLT, o empregado somente poderá deixar de comparecer ao serviço sem prejuízo do salário por até 2 dias consecutivos, em caso de falecimento do cônjuge, ascendente, descendente, irmão ou pessoa que, declarada em sua carteira de trabalho e previdência social, viva sob sua dependência econômica.

E é isso que torna as coisas doces e amargas.

Deixamos pequenos pedaços de nós para trás, pequenas lembranças, uma vida de memórias, fotos, bugigangas.

Coisas para lembrarem de nós mesmo quando já tivermos ido embora.


sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

A morte é um dia que vale a pena viver

Depois de ver o vídeo "A morte é um dia que vale a pena viver", da Dra. Ana Claudia Quintana Arantes eu me lembrei muito da minha mãe, que foi um ser humano extremamente digno, trabalhador, honrado, honesto, e que mesmo em meio a tanta dor, tanto sofrimento, tanta tristeza, deixou tudo preparado para sua morte.

Deixou um texto bíblico para confortar seu esposo, filhas, neto, familiares e amigos.

Arrumou a casa, pagou as contas, deixou tudo limpo e organizado como sempre fez durante toda a sua vida.

Despediu-se de tudo e todos.

Um mês antes de falecer, se recolheu para dentro de si, e nos fomos notando esta mudança gradativa de comportamento.

Mãe, minhas sinceras desculpas, perdão, eterna gratidão e admiração. Tudo que sou hoje, TUDO, TUDO, TUDO, agradeço a senhora, minha mãezinha querida.

Até os hinos que deveriam ser cantados no velório, ela especificou (Hora bendita, Em oração e Mais perto quero estar).

Eis abaixo o texto bíblico que ela determinou que fosse lido no culto de corpo presente.

"Mas deliberei isto comigo mesmo: não ir mais ter convosco em tristeza.

Porque, se eu vos entristeço, quem é que me alegrará, senão aquele que por mim foi entristecido?

E escrevi-vos isto mesmo, para que, quando lá for, não tenha tristeza da parte dos que deveriam alegrar-me; confiando em vós todos, que a minha alegria é a de todos vós.

Porque em muita tribulação e angústia do coração vos escrevi, com muitas lágrimas, não para que vos entristecêsseis, mas para que conhecêsseis o amor que abundantemente vos tenho."

2 Coríntios 2:1-4


Aniversário de casamento


Há exatos 12 anos me casei no civil com meu marido Aluísio, vugo Delícia, o meu Delícia. Fomos, somente nós dois, com a roupinha do corpo, coisa simples "fio", sem padrinho, sem ninguém, sem eira e nem beira, parecendo dois jacús da roça no Cartório da Rua Guarani, lá tava lotado, uma muvuca danada.

Não temos foto, nem nada deste momento, só as lembranças que guardamos no coração.

Casamos pela manhã e dali mesmo nos despedimos, cada um foi viver a sua vida e fazer suas coisas, pois era plena quarta-feira útil e sábado era nosso casamento no religioso.

Não tive arrumação nenhuma, completamente desprovida de vaidade, levantei e fui, de ônibus mesmo, nos encontramos lá na porta, e como não tínhamos levado padrinhos, pegamos o casal de trás na fila para ser os nossos.

Bom, o tempo passou, muita água embaixo da ponte também e aqui estamos, comemorando bodas de seda, e parece que foi ontem, mas ao mesmo tempo, tem uma eternidade, pois nos casamos no século passado.

Ah, a vida, como diz Joseph Klimber, "a vida é uma caixinha de surpresas".

Nunca na minha vida, imaginei que fosse casar, queria ser uma executiva de sucesso, aparecer em jornais e revistas, na televisão, ser famosa pelo meu trabalho, estes devaneios.

Demorei para dar o primeiro beijo, somente aos 17 anos e depois de muita luta, tinha um complexo de feiura, inferioridade, que só DEUS. Namorado mesmo somente 02 e uns peguetes aqui e ali, mas nada sério.

Quando conheci Aluísio foi amor à primeira vista, eu amei a alma dele de cara, eu queria ser ele, o que faltava em mim sobrava nele, mas ao mesmo tempo, ele não se encaixava na minha forma e eu muito menos na dele.

Depois deste tempo todo, ainda não encaixo na forma dele e nem ele na minha, mas o mundo evoluiu, o tempo passou e as formas hoje são de silicone e se amoldam ao conteúdo, portanto, estamos e somos felizes, pois queremos e gostamos de estar juntos, gostamos das mesmas bobagens e queremos cada dia mais a felicidade e o sucesso um do outro.

O segredo é este, pelo menos deu certo conosco, querer estar junto, não competir, gostar de ver o outro feliz, deixá-lo livre para viver e voar, afinal de contas, somos um e ao mesmo tempo dois, e na maioria das vezes três, este terceiro ser é a junção de nós dois.

Antes de nos casarmos Aluísio já tinha vivido 31 anos e eu 25 e meio, portanto, tínhamos vidas e histórias para contar, já tínhamos um passado, gostamos e nos orgulhamos dele.

Problemas, temos e muitos, mas temos mais vitórias e histórias de superação e sucesso para contar. Que venham mais 50 anos!

Viva!

"Tempo, tempo mano velho"

"Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;"

Se tem uma coisa que sempre carreguei comigo é o famoso "vai passar". Só que antigamente era o vai passar a pobreza, vai passar o sofrimento, vai passar a falta de dinheiro, vai passar a falta de sossego, vai passar a falta de paz interior.

Desde pequena, por mais que eu estivesse no maior sofrimento, no maior perrengue, me vinha a mente e ao coração, "vai passar", não sei de onde eu tirava esta certeza, mas eu sabia, tinha convicção, "vai passar".

E agora que estou vivendo a melhor fase da minha vida, já tive outras fases ótimas, mas esta agora é a mais especial de todas que já vivi até hoje, o mar está tranquilo, manso de tudo, céu azul, uma brisa suave, uma paz interior que excede todo entendimento, entretanto, lá no fundo de minh'alma, tem um bichinho, uma vozinha que me diz "vai passar".

Assim como as coisas ruins vem e vão, as boas também, vem e vão. Desta forma estou com medo, medo do que vem pela frente e ao mesmo tempo querendo aproveitar ao máximo a fase atual. Quem já sofreu muito na vida está sempre esperando o "novo sofrimento", a "nova dor". Isso é ser pessimista? Para mim não, é não querer ser pego de calças curtas. É se preparar. Então, o que fazer?

Primeiro, estou tentando viver um dia de casa vez, tentando aproveitar bem, ao máximo, conversar com novas pessoas, gente mais nova, mais velha, mais culta, mais sábia, gente de todo jeito e de toda qualidade.

Segundo, estou tentando viver como se não houvesse amanhã, estou desfrutando, me entregando, tentando ser o mais leve possível, mas a velha Érika insiste em gritar, e eu, persistente e paciente comigo mesma, também insisto em dizer para ela, fique quieta, sossega, pois ao meu redor tudo está bem, não há porque ficar inquieta.

E simultaneamente vou me catequizando, dizendo para mim mesma: "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há."

Inspirada na banda Pato Fu, digo: tempo, seja meu amigo, seja legal, pois conto contigo pela madrugada e só me derrube no final...