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domingo, 6 de julho de 2014

Você gostaria de saber o dia que vai morrer?


Falar na morte é assunto que em sua maioria deixa as pessoas mudas, sem resposta e um tanto quanto constrangidas.

Há algum tempo a certeza que vou morrer, que sou um sopro e que a qualquer momento posso ir para outro plano me fez meio que mudar de estilo de vida.

Isso aconteceu depois da morte dos meus pais, uma perda seguida da outra. Perder pai e mãe nos dá uma sensação de vazio, nos torna vulneráveis, órfãos, a palavra é esta, você passa a não ter mais ninguém na face da terra que daria a vida por você.

O filme “O curioso caso de Benjamin Button” nos faz refletir exatamente sobre a nossa finitude: “Se quer saber, nunca é tarde demais para ser quem você quiser ser; não há limite de tempo, comece quando você quiser. Você pode mudar ou ficar como está, não há regras para esse tipo de coisa. Podemos encarar a vida de forma positiva ou negativa, espero que encare de forma positiva; espero que veja coisas que surpreendam você; espero que sinta coisas que nunca sentiu antes; espero que conheça pessoas com ponto de vista diferente; espero que tenha uma vida da qual você se orgulhe. E se você descobrir que não tem, espero que tenha forças para conseguir começar de novo.”

As melhores reflexões acontecem em enterros, neles os familiares e amigos se encontram e as elucubrações sobre a vida começam: “a partir de amanhã será diferente”, “nunca mais nos afastaremos”, “devia ter levado a vida menos a sério”, “devia ter amado mais, ter chorado mais, devia ter complicado menos, trabalhado menos, ter visto o sol nascer. Devia ter arriscado mais e até errado mais, ter feito o que eu queria fazer.”

E este dia chegou para mim em janeiro de 2012 quando perdi meu pai, nunca imaginei que ele fosse morrer tão jovem e de repente, ainda mais imediatamente após a morte da minha mãe. Lembro como se fosse hoje, foi um dia crucial, falei para mim mesma, pensei cá com meus botões, é agora ou nunca. A primeira coisa que fiz foi destraçar algumas metas de vida. Comecei a mudar, de forma lenta e gradual, porém uma constante, ao ponto das pessoas perceberem, porque a direção é mais importante que a velocidade.

E diante disso me veio ao coração parte do discurso do Steve Jobs, “lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo - expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar - caem diante da morte, deixando apenas o que é importante. Não há razão para não seguir o seu coração. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.”

Hoje, segundo meu marido, amigos e colegas de trabalho estou mais leve, serena, “light”, despreocupada, mais alegre, mais solta... Estou aproveitando a vida, quero ser feliz, e ser feliz é uma decisão, pois a mesma só tem sentido ser você fizer alguma coisa da qual possa se orgulhar, como disse José de Alencar, "não quero que Deus me dê um dia de vida a mais de que eu não possa me orgulhar." Costumo dizer que antes avaliava os convites para festas, hoje não, se não quiserem minha presença, não me convidem, se, porventura, convidarem, saibam que eu vou.

Estou com ganas de viver e viver bem, aproveitar cada segundo da minha vida e não deixar nada para amanhã, pois o amanhã pode não existir, "porque se você parar para pensar na verdade não há..."

E respondendo à pergunta-título: você gostaria de saber o dia que vai morrer? Outrora pensava que sim, neste meio tempo, depois de muito refletir cheguei à conclusão que não, melhor não sabermos o dia de nossa morte, “porque ninguém quer a morte, só saúde e sorte. Viver, viver, viver, e não ter a vergonha de ser feliz!”



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